sábado, 31 de maio de 2008

Adagio

Bailando ao som da melodia que lhe invadia a alma, ela se sentia pura, leve e de certo modo até celestial. Bailava como se fosse um anjo que percebia naquele instante a sua condição de ente celeste.

Era como se tudo fosse uma só dimensão de luz e ela a fonte criadora de tão brilhante mundo. Seus labios reluziam num sorriso delicado, como se fosse a coisa mais natural do mundo ter tanta beleza existindo ao mesmo tempo.

As suas mãos acompanhavam cada nota como se estivessem tecendo a melodia do mesmo modo como a aranha tece sua teia. Ela ri da comparaçãoque fez, imaginando o que sua teia poderia pegar.

Tão breve quanto foi belo, a música acaba e ela se vê só novamente, no silêncio da sua casa, contemplando a noite pela sua janela e como quem volta a realidade, os problemas de sua vida a envolvem como se trazidos pela brisa que vem da janela aberta.

Rapidamente uma onda de melancolia surge do nada e o que era tão vívido se torna algo cinza, silencioso e triste. O que era tão belo e melodioso agora lhe parece tão distante. E o seu belo sorriso desaparece sem deixar vestígios.

Intuitivamente ela volta a chorar, relembrando todas as angústias que a música lhe afastara instantes atrás e cada lágrima sua que cai é de uma tristeza que ela não pode conter e irrompe por todo o cômodo.

Zero, pensa ela, essas são as chances de algo dar certo pra mim e fecha a janela pela última vez antes de ir dormir. Mal sabe ela que existe alguém que nunca a deixou de ver como um anjo.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sobre o início

A pior coisa sobre escrever é como começar, um milhão de idéias na cabeça e nenhuma palavra, sílaba ou letra lhe parece ser apropriada para iniciar, espero que esse blog seja útil como uma forma de expressar minhas idéias mesmo tendo certeza que no início falarei sobre mim mesmo.

Pretendo escrever sobre tudo um pouco, sejam pequenos contos, comentarios acerca de situações que vejo ou simplesmente falar das coisas que eu gosto. Sabendo que nunca saberei ao certo se alguém irá ler algo que aqui escrevo.

Mas, enfim, é isso. Um começo pelo menos

Início

E ele ficou parado ali por um bom tempo olhando para aquela foto como se fosse a primeira vez que a via, como se fora a primeira vez que via algo tão lindo em sua vida, em certo sentido era realmente o momento inicial pra ele, não de tudo, mas de alguma coisa com certeza.

E ele imaginou como as coisas poderiam ser diferentes, como poderia ser melhor, como tudo o que foi planejado daria certo, como não seria o que ele é hoje, como o problema não é o fim em si, mas o longo processo que levava até ele.

E ele lembrou de uma palavra que ouvira na juventude durante uma aula qualquer que ele não se lembra por estar muito atarefado com seus jogos infantis e que agora lhe parecia muito apropriada: sahel.

E ele desejou por um instante ser aquela faixa de terra tão conflituosa, mas que ainda tentava ter um pouco de vida e se viu como o terreno fértil que se espanta com a rapidez da areia que lhe toma o restante da sua vida.

E ele se assustou com a menina que lhe perguntava: " Por que você olha tanto pra essa foto, moço?"

E ele não pôde lhe responder