domingo, 20 de julho de 2008

Sobre o fim de tarde

Eu adoro fins de tarde, sempre gostei, acho que o céu alaranjado a coloração mais bonita que existe, prefiro muito mais do que um céu azulado. Acho que não se deve somente à motivos estéticos ou ao fato de preferir um "vermelho" à um azul.

Acho que o céu alaranjado me lembra descanso, por ser a cor do céu no momento em que o dia chega ao fim, em que eu saía do trabalho (na maioria das vezes) e isso me dá uma sensação de dever cumprido ao final do dia.

É como se no roteiro de nossas vidas essa é uma parte obrigatória e uma vez cumprida podemos fazer algo que seja mais do nosso agrado, se a vida fosse música esse seria o início do solo de guitarra. Não gosto de ver a vida com roteiro com cronograma, mas isso é assunto para outra hora.

Enfim, tudo isso só pra dizer que eu gosto de um céu laranja...esperem pra ver quando eu falar de desertos.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Gaiola

Ok, está tudo certo, tudo pronto, tenho certeza de que não esqueci nada, pensou ele enquanto ajeitava suas coisas para sair. Fazia muito tempo que ele se preparava para isso, pensou durante dias em como fazê-lo.

Lembrou de já ter feito tantas vezes o mesmo ritual e do resultado desastroso que se seguiu. Como cada dia frustrado tinha uma desculpa perfeita engatilhada e como não repetir o mesmo erro do dia anterior tornou-se o seu mantra pessoal.

Sorriu ao abrir a porta ao sentir que tudo tinha sido solucionado. Ao abrir a porta sentiu o mesmo medo de sempre e recuou por um instante. E como que surgido do nada, um turbilhão de sentimentos o tomou e o levou aquela velha linha de raciocínio que tanto o atrapalahava, idéias ordenadas que só em sua mente faziam sentido.

Retornou a guardar suas coisas e pensou que talvez amanhã ele tivesse mais sorte.

domingo, 6 de julho de 2008

Em extinção

Acho que de todas as espécies em extinção aquela da qual sentirei mais falta é a gentileza. Tenho certeza de que posso viver sem o mico leão dourado, o jacaré do papo amarelo ou qualquer outro animal em extinção que me ficou faltando pra completar o álbum do chocolate Surpresa quando eu tinha dez anos.

Não consigo entender como é cada vez mais raro encontrar a gentileza no mundo de hoje. Seja aquela gentileza em cativeiro, feita como se fosse convenção social quanto sua versão mais rara, a gentileza espontânea que surge quando menos se espera.

É estranho, por ser algo simples era esperável que fosse mais comum, ainda mais quando quase todos gostam de que sejam gentis com eles, digo quase todos porque sempre existem masoquistas que gostam de sofrer, de chicote e de assistir ao Gilberto Barros.

Acho que sinto falta da gentileza, mas também penso que os álbuns da Surpresa têm mais chance de voltar.

Reclusão

Uma gota de suor teimava em descer de sua testa, mas nada daquilo lhe importava, cada gota daquela era o pagamento que lhe cabia pelo esforço realizado, pagamento que ele aceitava de bom grado diante de tudo aquilo que já tinha vivido.

Por um minuto parou e contemplou a bela tarde de sol que se avizinhava. Sentia-se leve, como se a marreta em sua mão fosse feita de isopor e sorriu ao admirar o sol se pondo nas colinas distantes do ponto em que estava.

Admirou-se ao notar pela primeira vez a imensidão de todo o mundo e sorriu ao se ver como parte de toda a grandeza que tomava conta de seus olhos. Ao ouvir o sinal, colocou a marreta de lado e decidiu dar o dia por encerrado.

Seguiu em direção da estrada de terra com a certeza de que finalmente havia encontrado a paz que tanto buscara e ela estava na terra que agora tocava seus pés. Depois de tantos anos percebeu que teria o espírito para cumprir o resto de sua sentença