segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Multidão

Uma manhã como qualquer outra, andando em direção ao trabalho, apressada, como sempre, atrasada como sempre, em meio à multidão que provavelmente tinha a mesma motivação que ela.

Nunca gostou de multidões.

Se sentia espremida, fechada, quase que enclausurada em meio à tantas pessoas. Pensava em um milhão de coisas ao ir em direção ao serviço, fechava-se em si mesmo, colocando-se numa espécie de piloto automático.

Odiava aquela gente toda, odiava o cheiro, o barulho, a visão. Achava que era uma tortura à todos os sentidos. Só de pensar nisso antes de sair já lhe causava arrepio, tremia toda como se tivesse insetos rastejando em sua pele.

Como era bom chegar em sua sala, sentar sozinha com suas coisas, no silêncio, somente ela, com seus pensamentos, sem nada a distrair, sem ter que se preocupar, com todo o tempo do mundo. Parou então por um minuto e abaixou a cabeça.

Nunca gostou de estar sozinha.

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