quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O valente

Eu estava no meu canto, cuidando da minha vida. Ele que começou, olhou estranho, parecia que me conhecia e ficou olhando com aquela cara. Aquela cara de quem não vai com a sua. Tive que ir lá e saber qual era o problema.

Como não tinha problema nenhum? Ninguém fica olhando tanto tempo se não tivesse algo em mente e o que aquele olhar dizia era de que ele tinha algum problema, aquele era olhar de problema, não me engano nessas coisas.

E ainda vem me dizer que o problema é comigo. Sabia, tinha certeza, ele tem um problema comigo e vem tentar mudar as coisas pra fazer parecer que é comigo. Eu que estava quieto, calmo no meu canto, apenas refletindo sobre um dia ruim. Mas nem beber em paz se pode mais.

Fica com essa cara de pena como se eu não tivesse sentido no que falo, como se eu fosse um ser humano patético, mas agora ele vai ver o que o "ser patético" irá fazer com esse rostinho falso dele. Não vai nem saber o que o acertou.

Hum... que estranho não me lembro de ter me deitado aqui no chão, devo ter me cansado mais do que esperava me livrando daquele sujeitinho ridículo que resolveu me provocar. Pena que não lembro dele correndo, uma pena.

E por que esse cachorro me lambe tanto o rosto? Não lembro de ter nenhum cachorro e o pior, por que arde tanto o meu rosto quando ele lambe?

domingo, 4 de janeiro de 2009

Manada

Sozinho caminhava, nada diferente do usual, o mesmo dia de sempre, a mesma música soava do carro estacionado no farol à sua esquerda. E ia no mesmo passo lento, no automático, em direção ao mesmo lugar que tinha de ir todo dia.

No seu quinto passo percebeu que mais alguém andava a seu lado, com o mesmo olhar parado, com a mesma fisionomia, o mesmo jeito de quem segue a rotina e vai levando ou se deixando levar por afazeres cotidianos: acordar, sair, trabalhar, televisão, dormir.

No vigésimo terceiro passo mais um se juntou a sua romaria diária, assim como no trigésimo, quadragésimo, septuagésimo, e mais alguns passos cujos números não se lembrava o nome. Ora, não se lembrava nem se era cardinal o ordinário o nome deles.

Enfim, suspirou e viu que era uma multidão de iguais, todos no mesmo passo, na mesma batida, por assim dizer. E era uma multidão, uma coletividade que tornava cada um mais solitário, ao lhes retirar a singularidade. Então parou. Deu meia volta e voltou pra casa. Não seria tragado pelo mesmo de sempre.

Ainda não.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Simple thing

As he sat in the doorsteps with a beer bottle in his hand he just realized a simple thing: what you can do wont matter, fate will always command your life. He felt like he was the single leaf that passed by him carried by the wind.

What was the wind for him? Fate without a doubt, he answered to himself. And with this line in mind he started wondering which way the wind took him. Did he get into a dusty road and get rolled over by bigger things until there is nothing left? Or was he placed safely under a tree to enjoy peacefully as the years go by?

He looked up and gazed upon an orange sky and into that wonderful afternoon after a long, but good day. And he knew the answer to his own question.

He was surely still flying.