domingo, 5 de abril de 2009

Aceitação

Era algo que há muito tempo ele sentia que deveria fazer, algo que sempre ficou escondido, mas que ele sabia que estava lá. Não era uma questão de ser diferente, pois isso era considerar os outros como iguais e ele sabia que ninguém era igual a ninguém.

Num primeiro momento parecia que era algo sem importância, uma fase, curiosidade, qualquer coisa que com o tempo sumiria e ele poderia ser igual a todos. Riu ao pensar na contradição que era querer ser igual e achar que tinha de ser assim, mais engraçado ainda pensar isso sabendo que o fato de sermos únicos era uma qualidade que ele apreciava nas pessoas.

Tentou se encaixar, tentou não pensar e por fim tentou esconder o máximo que podia. Se magoou e magoou outros pelo caminho, sentia-se culpado por ser do jeito que era, achava-se errado, desviado do que era certo. Mas acabava sempre pensando no que é o certo, no que é o importante e se acalmava sabendo que o certo era ser verdadeiro. Ser verdadeiro, essa frase ecoava em sua mente ultimamente e ele sabia que tinha, devia, precisava exteriorizar isso.

Olhando-se no espelho via-se ali, sem nada, sem preconceitos, sem crises, apenas ele. E nesse nada que era o tudo o que ele era a decisão se formou, não havia mais dúvida sobre o que ele devia dizer e disse primeiro a si mesmo: sou gay.

Saiu do quarto em direção à sala aonde estava sua família em uma reunião dessas sabendo o que tinha de fazer. Saiu e fechou a porta sabendo que não iria se fechar nunca mais.

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