terça-feira, 17 de agosto de 2010

Cinco horas

Duas horas ali sentado, esperando com os cotovelos no balcão tentando se entreter com qualquer bobagem que passa na televisão, um jogo antigo, não tendo a menor idéia de quem seja o time que está ali jogando. Não tanto por culpa sua, o aparelho é velho e a imagem definitivamente não é das melhores.

O copo é o mesmo, sujo de tanto ser segurado, a cerveja dourada, escura, fica mais tempo dentro do copo do que antes, agora ele só a balança de um lado pra outro completamente sem motivo, só querendo que algo além dele também gire. Duas horas e meia ali. Mais um gole, mais um pouco, só isso e talvez o tempo passe mais rápido. Pensar logicamente talvez dê algum sentido, mas parece ser algo um tanto quanto improvável no atual estado.

O cheiro do cigarro ali queimando do seu lado não o incomoda nenhum um pouco, tem um maço inteiro ainda no bolso, o que foi queimado não fará falta. Fica ali parado só olhando a ponta virar cinzas e desmanchar, não há motivo para isso, era só pegar e fumar, mas estranhamente prefere so vê-lo se desfazer.Três horas.

Coça a barba, 3 dias, não é muito tempo mesmo, deixa pra depois e depois, uma hora se irritaria e faria de qualquer jeito. Olhar pro relógio é um impulso que tem resistido há certo tempo, mas não resiste e espia: quatro horas. Fecha os olhos e decide só descansar um minuto enquanto espera.

Cinco horas, marcou o relatório do legista como hora da morte, causa da morte desconhecida. Mas se ainda pudesse dar opinião diria que foi coração partido.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Voice(s)

Songs whispered in my head by voices long gone and for me forgotten, simple melodies of a past I holded dear to me. I go along with them flowing in memories that hug me until I feel I have to sleep. But I won't.

They say go on, come with us, like a little kitten purring in my lap wishing to lay I think about their offer, the song is so nice, the memories so amazing that I just want to be a part of it and sing along with them. Yes, I must go and be one with the voice.

My body is numb as my conscience goes, ridding the music, my perfect horse, so i can go to the horizon and never look back anymore. It's perfect, better than I could dream off. I am ready, here I go.

A heat passes across my body, an eletric wave circles me and I am back, all my body is mine, no, no longer mine, it's hers. Nothing strange here since it was her all along, the melody goes weaker as the voices fade and lefting only one higher, triumphant, divine, not singing, just saying " would you be mine?"

And yes, I would be.

O que tem para jantar?

Lambeu os dentes com a ponta da língua e ficou envergonhado por achar um tanto quanto ridiculo tentar parecer malvado desse jeito, na sua cabeça isso soava tão sanguinário, mas na realidade era até juvenil. Como se alguém que tivesse feito o que ele fez precisasse de trejeitos pra parecer mal.

Não se sentia mal, esperava um certo enjôo, mas nada, talvez não tivesse se concentrado tanto e tenha sido tao natural, afinal ja tivera mais trabalho com facas ao cortar os bifes dela, sempre queimados, pedaços de carvão.

Enfim, o que faria agora ainda era um tanto quanto confuso, o borrão vermelho na camisa parecia o escudo do seu time,"pelo menos estou uniformizado", pensou e soltou um sorriso tentando lembrar como era o refrão do hino.Tão absorto que atendeu a porta sem atentar para como estava.
- Boa noite, fazendo macarronada pro jantar?, perguntou o vizinho.
- Eu sou péssimo na cozinha.
- Ah sim, eu também, e minha esposa pior ainda, completou com um sorriso.
- É, a minha também era.