domingo, 26 de setembro de 2010

Senha

Respirava pesadamente, coração acelerado, mãos trêmulas, suando, encostado em um canto da parede pensava seriamente no que fazer em seguida, olhos de um lado para o outro procurando uma saída, algo que lhe desse a chance de escapar dali.

Rememorar não lhe adiantava em nada e ainda assim teimava em forçar a mente nos acontecimentos anteriores como se na retomada de seus passos tivesse a solução para aquilo. Passos mal dados, com certeza, pensou ser um idiota, um cretino. Ótimo, agora julgamentos se adicionam a lembranças.

Acuado agiria como qualquer animal, atacaria de forma inconsequente, mas sabia que eles olhavam, o notavam, não teria surpresa, era minuciosamente analisado, todos seus defeitos, suas possíveis ações, tinha que improvisar, não tinha dúvida disso.

Algo na garganta subia e descia enquanto decidia o que fazer, faltava-lhe ar, coragem e sobrava medo, mas tanto que o envergonhava. Tinha que mudar isso e com firmeza decidiu que seria aquela hora.

Rapidamente se moveu e saiu, exultante por se ver escapar, celebrando a própria vitória. Nem teve tempo de notar a voz que dizia, "senha 22, senha 22". Só então as pessoas na sala notaram o papel com o número 22 no lugar aonde ele estava e continuaram a fazer o que faziam esperando o próximo número.

Para ele nada disso importava, ele escapara.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Time

Time is a good measure, time is line, you can cross events, moments in this line and remember, re live it. It's precise you dont need to have worry if you are losing track, it's logical, its just there. A great instrument to have as a parameter, no doubt about it.

From the smallest second, passing by months, years, centuries, until eternity, time just goes on, regardless if you exist in it, or if you are a memory, a note marked in it by someone that wishes to remind what you were.

Still its incredible how I can't put my love in it, it's not big enough to contain all, it spreads into my future and it melts with my past and when I look it up to me they all look like the present, so time is no longer precise.

And there I am standing, staring what would be logical, precise and wondering how it got mixed, how it got so misterious, unpredictable. Maybe I am missing something, so I look over and see no mistakes in your love.

Then it hits me, it's not an year together, time is not the parameter, your love is, and all made sense, and time, well, time... become irrelevant.

domingo, 19 de setembro de 2010

Canta comigo

Canta comigo uma última vez, a mesma música, só mais uma vez, antes de você ir embora repetiu incessantemente olhando pra cima esperando a aprovação, fazendo uma cara triste como se fosse chorar se ouvisse um não. Por ser pequena parecia ainda mais frágil do que os cinco anos de idade que tinha, mas falava feito alguém que ja tivesse experiência de muitos anos de vida.

Suspirou fundo e olhou nos olhos dela e so acentiu com a cabeça e sorrindo logo em seguida, como se num reflexo ao ver aquela boca com alguns dentes faltando se abrir pra ele. Pensou que não custava nada fazer alguém tão pequeno sorrir.

E começou a cantar e antes de terminar a primeira frase já tinha companhia naquele dueto, uma vozinha que cantava ainda mais alto à medida que parecia brincar enquanto cantar. E balançava a cabeça, fazendo com que ele a balançasse também tentando acompanhar o ritmo.

Um beijo de obrigado no rosto assim que a música acabou e antes que pudesse agradecer a pequenina ja corria a brincar com as outras crianças. Não tinha problema, pensou ele, com os papéis da adoção em suas mãos, não seria a última vez que iam cantar juntos.