domingo, 26 de setembro de 2010

Senha

Respirava pesadamente, coração acelerado, mãos trêmulas, suando, encostado em um canto da parede pensava seriamente no que fazer em seguida, olhos de um lado para o outro procurando uma saída, algo que lhe desse a chance de escapar dali.

Rememorar não lhe adiantava em nada e ainda assim teimava em forçar a mente nos acontecimentos anteriores como se na retomada de seus passos tivesse a solução para aquilo. Passos mal dados, com certeza, pensou ser um idiota, um cretino. Ótimo, agora julgamentos se adicionam a lembranças.

Acuado agiria como qualquer animal, atacaria de forma inconsequente, mas sabia que eles olhavam, o notavam, não teria surpresa, era minuciosamente analisado, todos seus defeitos, suas possíveis ações, tinha que improvisar, não tinha dúvida disso.

Algo na garganta subia e descia enquanto decidia o que fazer, faltava-lhe ar, coragem e sobrava medo, mas tanto que o envergonhava. Tinha que mudar isso e com firmeza decidiu que seria aquela hora.

Rapidamente se moveu e saiu, exultante por se ver escapar, celebrando a própria vitória. Nem teve tempo de notar a voz que dizia, "senha 22, senha 22". Só então as pessoas na sala notaram o papel com o número 22 no lugar aonde ele estava e continuaram a fazer o que faziam esperando o próximo número.

Para ele nada disso importava, ele escapara.

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