A mesma sequencia de notas se repetia de cinco em cinco segundos, melodia torta que o irritava mais do que ele gostaria de aceitar, "por que diabos sempre a mesma nota", pensou consigo mesmo se enervando ainda mais por não saber de onde vinha o som que parecia arranhar seu ouvido por dentro.
Parou por um minuto extremamente intrigado pelo som ter parado como se o estranho som já fizesse parte de sua vida e o silêncio representasse um incômodo visitante. Olhou para um lado e só viu o vazio normal do fim de tarde.
Passou um menino com um violão quebrado e começando a soluçar e imaginou que com certeza alguém se irritara com a mesma nota que minutos antes acabara com o seu sossego.
Parou e olhou para o menino que parecia notar o seu olhar confuso o questionando e o menino lhe respondeu, "ele simplesmente caiu e quebrou" disse quase como um choramingo, "nunca mais vou poder tocar a música que meu pai ia me ensinar e ele não vai voltar do céu porque não vai saber que sou eu".
O homem se sentiu culpado e disse ao menino que com certeza o pai dele o escutaria independente da música, pois ela ainda tocava no coração dele e isso o pai dele escutaria aonde fosse. O menino pareceu ficar mais consolado com isso e seguiu pela rua.
Com um sorriso o homem se voltou para sua casa a tempo de ouvir o sino de vento começar a tocar a mesma melodia, virando a cabeça disse " não se preocupe, essa melodia eu já sei de cor".
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